Pensar as Multidões Agroecológicas sob a ótica do esperançar, no sentido atribuído por Omar Giraldo, é o primeiro convite que fazemos para aquelas e aqueles que lerão este livro. Um esperançar que dialoga com o esperançar de Paulo Freire, ou seja, não no sentido de esperar, mas de assumir para si a tarefa cotidianamente de construir o caminho do inédito viável de uma práxis agroecológica, isto é, uma prática em movimento e em íntima relação com uma consciência crítica, bem como com o reconhecimento de sua dimensão política, científica, teórica, tecnológica para um horizonte emancipatório.
As multidões são o sujeito coletivo que foi despojado de sua condição digna de existência vital, mas que resiste de forma criativa. A emergência da Agroecologia é fruto desse movimento histórico porque, em definitiva, a Agricultura é a maior arte da existência e evolução humana e da natureza por ser o berço da relação ontológica e epistêmica que as sociedades humanas estabeleceram com a terra, com as sementes, as águas e os ciclos do tempo, e a tecnologia, uma vez que o ato do plantio e da colheita requer essa sabedoria. O que definimos, hoje, como uma experiência agroecológica é fruto desse processo histórico – pensamento, conhecimento e ação agroecológicos - que se revela em uma diversidade de experiências concretas do fazer agroecológico desde as mãos, corações e mentes em todo o mundo. Se somamos cada uma delas, descobrimos que são multidões e não minorias as que fizeram emergir a Agroecologia que conhecemos e defendemos hoje. O afeto com a terra é expressado, nas palavras poéticas de Omar, como um acariciar a terra. E no diálogo com Omar Giraldo, a partir da leitura do livro, identificamos o afeto nas memórias afetivas que herdamos e, elas, a do sabor dos alimentos, das frutas, das verduras, dos legumes, das diferentes carnes e grãos.
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Sumário
Prefácio | A Agroecologia, semeadora de esperanças e de imaginação criativa dos povos para um horizonte emancipatório - Lia Pinheiro Barbosa
Introdução
1. Cinco chaves das multitudes agroecológicas
2. Fazendo potência, tecendo multitude
3. Blocos agroecológicos e interseções das lutas dos povos
4. Sem revolução agrária não há reverdecimento do mundo
5. E o que fazer com o Estado? Reformismo ou emancipação
Considerações Finais
Referências
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Ano de lançamento: 2025
230 páginas
Tamanho: 15x21 cm
ISBN: 9786552790187
Tradução: PPGADR - UFSCar