A Infância no Cativeiro: a sociabilidade familiar das crianças escravas e libertas em São Paulo (1825 – 1888)

Robson Roberto da Silva

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Esta publicação traz pesquisas documentais e historiográficas sobre o processo histórico da presença das crianças negras na sociedade escravista na cidade de São Paulo no século XIX. Nela, o autor pesquisou diversas vertentes da vida, cotidiano e desenvolvimento das crianças escravizadas em convivência com sua família ou apenas com a sua mãe, pois os pais eram ausentes ou desconhecidos, conhecidos como ilegítimas; isso quando o destino delas não fosse a Roda dos Enjeitados e a caridade alheia.

As crianças escravizadas enfrentavam muitas dificuldades de sobrevivência: deficiências de higiene na gestação, deficiência na amamentação materna e na alimentação e doenças na primeira infância, principal causa da alta mortalidade infantil. Caso sobrevivessem, essas crianças conviveriam com suas famílias nucleares e também com as famílias senhoriais, e em determinada época, elas começavam a executar serviços domésticos como mucamas e pajens e, quando crescessem, trabalhariam na lavoura.

Na segunda metade do século XIX, após o fim do tráfico negreiro houve mudanças sociais significativas tanto para os escravizados como para seus filhos. Com a escassez, os senhores tiveram que revalorizar seus escravizados ladinos e nisto os cativos puderam ter seus direitos de alforrias mais concretizados, especialmente entre as mulheres negras e seus filhos e se tornavam mais raras as cenas as violências dos senhores contra as mães escravizadas, separando-as de seus filhos.

Outra importante mudança foi à migração das famílias negras libertadas para as cidades. Lá, as crianças negras tiveram outras condições de vida, educação e trabalho, mais próximas da autonomia, porém enfrentariam as precariedades da educação e as poucas chances de ascensão social diante dos imigrantes europeus.

Em 28 de Setembro de 1871 é promulgada da Lei do Ventre Livre, dando a condição de liberta todas as crianças negras nascidas após a vigência dessa lei, contudo, elas continuariam tuteladas pelos senhores e prestando-lhes serviços até a liberdade definitiva com a assinatura da Lei Aurea de 13 de Maio de 1888.

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657 páginas

Sumário:

Dedicatória
Agradecimentos
Apresentação
Introdução

Capítulo I: A formação familiar dos escravizados e a presença das crianças negras e mestiças no universo das famílias paulistas no século XIX
1.1 A sociedade escravocrata paulista e as formações familiares dos escravizados no cativeiro
1.2 O papel social das crianças escravizadas na sociedade escravista paulistana no inicio do século XIX

Capítulo II: Do contexto histórico da extinção do tráfico negreiro de 1850 até a Lei do Ventre Livre de 1871: as lutas políticas e sociais pela emancipação dos filhos escravizados
2.1 As transformações sociais e familiares na vida das crianças escravizadas após a extinção do trafico negreiro e a sua inclusão ao mundo do trabalho
2.2 As crianças escravas e libertas no contexto da Guerra do Paraguai (1864 – 1870) e as movimentações políticas que antecederam a Lei do Ventre Livre

Capítulo III: A criação e educação das crianças escravizadas no mundo do trabalho livre na sociedade paulista do final do século XIX
3.1 A promulgação da Lei do Ventre Livre e suas contradições, as crianças escravizadas e sua integração ao mundo do trabalho livre na sociedade paulista
3.2 A ascensão do racismo científico no Brasil e a exclusão social das crianças libertas nos anos finais da escravidão no século XIX

Conclusão
Referências documentais e bibliográficas
Sobre o autor